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Garoto desafia escola para salvar porca que seria assassinada

27 de julho de 2015

por Augusta Scheer (da Redação)

Foto: Farm Sanctuary

Quando Bruno Barba viu Lola pela primeira vez, não podia imaginar o quanto a porquinha afetaria sua vida. “Ela mudou tanto a minha vida que não consigo mais olhar para as coisas da mesma maneira,” afirmou o jovem à reportagem do site The Dodo.

O estudante de 16 anos conheceu a porca quando a comprou através do programa Future Farmers America (FFA), presente na escola Fullerton Union High School, onde Bruno estuda. O programa instalou uma fazenda ao lado da escola e encoraja os estudantes a comprar animais para serem alojados no terreno.

Os alunos participantes do FFA são responsáveis por todo o cuidado com os animais que adquirem. Devem cuidar da alimentação, higiene etc., e têm seu desempenho constantemente avaliado. Depois, levam os animais à Orange County Fair, de onde serão enviados para serem assassinados para consumo humano.

O caso de Bruno e Lola foi de amor à primeira vista. A porquinha se afeiçoou ao menino logo de cara, grunhindo avidamente em todas as visitas diárias que ele fazia. “Ela era como minha melhor amiga,” conta o estudante.

“Ela me impactou profundamente, me fez perceber que [os animais] são exatamente como nós, eles têm os mesmos sentimentos e não merecem ser assassinados,” aponta Bruno, para quem essa amizade foi um imenso aprendizado.

O menino relata que, quanto mais afeto demonstrava por Lola, mais ela retribuía. “Uma vez, eu estava me sentindo desolado por todos os outros animais e comecei a chorar. Ela percebeu que eu estava chorando. (…) Estava sentado no chão, ela veio até mim e eu fiz carinho nela, ela se deitou no chão para receber carinho na barriga.”

As semanas passavam, e Bruno estava cada vez mais deprimido diante do destino triste de Lola e dos outros porcos. Para ele, a última gota foi assistir ao assassinato de um dos outros porcos.

A maior parte dos estudantes participantes do FFA contrata um carniceiro para matar seus animais, e o profissional vai ao campus para fazê-lo. Os animais são assassinados no terreno ao lado da escola, à vista de todos os estudantes que estejam transitando por ali.

“Assistir a isso foi desolador para mim. Matam os animais na mesma fazenda em que os criamos. Eu não consegui aguentar,” relata o estudante, que se incomodou muito com a indiferença dos demais colegas. “Acho que é muito triste, porque eles realmente não se importam,” explica Bruno.

O estudante percebeu que teria de encontrar um lar adequado para Lola. No terreno do FFA, ela era alojada numa cela de concreto, sem nenhum conforto, nem mesmo feno para se deitar. Bruno sabia que a porca merecia mais do que aquela vida sombria e solitária, seguida de assassinato, por isso acionou a entidade Farm Sanctuary.

Alice Pell, da entidade, disse que tal acontecimento não é incomum. Ela conta que muitos dos estudantes participantes do projeto se conscientizam e procuram a Farm Sanctuary. “Às vezes, eles não entendem que não devem mais adquirir porcos no FFA. Eles pensam ‘vou criar outro animal no programa ano que vem e encontrar um santuário de novo’. Isso só perpetua o ciclo,” relata a defensora de animais.

Foto: Farm Sanctuary

Pell conta que o caso de Bruno foi diferente. Há algumas semanas, o garoto e sua mãe ajudaram os voluntários da entidade no resgate de Lola, numa jornada de seis horas rumo a Orland, California, onde o santuário fica localizado.

O estudante conta que a experiência o fez mudar significativamente, além de reavaliar seus conceitos sobre os animais e sobre o programa FFA.

“Mudei minha percepção. Entendi que o FFA tende a dessensibilizar os estudantes que participam. O programa mostra aos estudantes que [animais] são coisas para matar e comer, não para desenvolver laços de afeto.”

Bruno diz que se considera sortudo por poder ajudar Lola a escapar desse destino brutal e relata que as escolas participantes do programa desencorajam estudantes que pensam em desistir do assassinato. “Eles se afeiçoam aos animais,” afirma Bruno a respeito dos outros colegas. “Choram quanto têm que entregá-los.”

O estudante diz que o mais importante foi entender que os animais são exatamente como nós. Ele e sua mãe decidiram aderir ao veganismo depois da experiência.

Alice Pell concorda com o estudante a respeito do programa, afirmando que o FFA dessensibiliza os alunos. “Eles passam a encarar os animais como encaram seus cães e gatos, compreendem que eles pensam e sentem, mas daí os mandam embora para serem assassinados.” Pell considera esse procedimento uma grande traição aos pobres animais envolvidos.

“Os animais passam a conhecer bem seus cuidadores,” segundo Pell, conta que, em geral, os animais formam laços muito fortes com crianças. “Os animais confiam neles, porque são seus amigos… eles os seguem de bom grado até a feira, até o estádio onde serão leiloados, não sabem que seus amigos estão assistindo enquanto eles são mandados embora para serem assassinados.”

Felizmente, o futuro de Lola será digno. Pell conta que a porquinha está gostando da nova casa, onde pode brincar na grama e na lama, na companhia de outros porcos residentes no local. A ativista conta também que a porca se afeiçoou rapidamente aos seus cuidadores, como ocorreu com Bruno. “Ela os adora, adora quando coçam sua barriga. É extremamente doce e amigável.”

Bruno conta que ficou muito triste em ter que se despedir de Lola, mas concorda que a mudança foi para melhor, pois a porca agora tem diante de si um futuro encantador. “Fiquei muito feliz por ela ter encontrado um lugar novo, onde pode brincar. Claro que eu queria chorar, mas não chorei porque ela encontrou um novo lar, onde pode ser feliz.”

Fonte www.anda.jor.br/

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