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Carroças

22 de junho de 2012

Amigos e Amigas,

Vamos ajudar o ULA! Nesta importante Campanha?

"Jamais creia que os animais sofrem menos do que os humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos." – Dr. Louis J. Camuti

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O que é:

Exploração de equinos por meio da doma e domesticação, e trabalho forçado atrelados a carroças e charretes para puxar peso por longos trajetos.

O que ocorre:

Em muitas cidades é comum ver cavalos maltratados, mal nutridos e explorados, puxando pesadas carroças, muitas vezes carregadas de resíduos provenientes de nosso estilo de vida perdulário.

Ao lado dessas humildes carroças passam intermináveis filas de automóveis – veículos metálicos e brilhantes, dotados de uma força equivalente a dezenas, ou centenas, de cavalos ou HPs (horse power) – enfim, máquinas insensíveis que desconhecem o cansaço e as rotinas enfadonhas.

Essa imagem contrastante pode ser violenta para olhos sensíveis, ou corriqueira, para aqueles que estão anestesiados e intoxicados pelas falsas "verdades" de nossa cultura massificada. Nem sempre a técnica veio para libertar ou diminuir o sofrimento dos animais ou dos seres humanos, os "auto-móveis" (o que significa "auto-móvel": algo que anda, ou se move, por si próprio?) que se cansam, sofrem e sentem. (Paula Brügger, cavalos: vida e morte repletas de sofrimento).

É difícil resgatá-los das ruas. Sempre sozinhos vagando em estradas, com sintomas de desidratação, desnutrição, anemia e maus-tratos, são totalmente esquecidos ou ignorados. Esses animais sofrem muito. E da pior forma, que é sofrer no desamparo.

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São forçados a puxar peso durante quilômetros sobre estradas de asfalto quente, em meio a carros, ônibus e caminhões, respirando fumaça tóxica e se assustando com buzinas, enquanto as amarras esfolam a sua carne, as chicotadas dilaceram o seu dorso e as viseiras arranham seus olhos. Uma carroça carrega meio metro cúbico de areia, o que corresponde a 700 kg, camionetas com 70 HP (HORSE POWER) têm capacidade máxima de 500 kg. A proporção é absurda.

Altos custos com o dinheiro público quando esses animais precisam ser resgatados dos maus tratos, abrigados e precisando passar por tratamentos completos por causa da violência que sofreram nessa atividade.

O cavalo tem saúde frágil. Pode vir a óbito por tosse (garrotilho) ou cólicas abdominais (dor de barriga). Sinais de doença podem ser detectados pelos sintomas – apatia, embotamento dos olhos, pelagem sem vida, corrimento nasal. Observe se tem feridas, nódulos, arranhões, parasitas, ou temperatura basal elevada (febre).

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Muitos dos animais, puxadores de carroça, passam um dia inteiro sem beber água. Vermífugos? Vitaminas? Vacina anti-rábica? Não fazem parte do vocabulário dos seus tutores carrascos.

Cavalos possuem o limiar de dor mais baixo que o do humano. Ou seja, sentem mais dor do que nós, mas não podem gritar e pedir socorro…

Alguns cavalos trabalham com uma pata (mal) ferrada e a outra não.

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Égua abandonada para morrer, após ser usada até exaustão total.

Quanto às necessidades naturais da espécie, lhes é privado o principal para manter a saúde física e mental: Andar e pastar livremente na companhia de outros cavalos.
Eles precisavam pastar durante o dia todo, pois precisam de grande quantidade diária de nutrientes. E o grupo representa segurança vital para os seus integrantes. Além de terem espírito livre por natureza, eqüinos e qualquer outro animal não merecem viver atrelados e amarrados.

Cavalos são animais de manutenção cara (alimentação, estábulo, assistência veterinária, remédios, vacinas, vermífugos, higiene, ferraduras, etc.). Carroceiros não têm condições de mantê-los adequadamente. Portanto, qualquer cavalo, de qualquer carroceiro, vive de maneira precária.

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Morto por exaustão e desnutrição.

Doenças: Sendo o cavalo uma fauna sinantrópica reemergente, é fundamental que se adotem estratégias de prevenção ao aparecimento de zoonoses (doenças transmitidas entre o homem e os animais).
Dentre as principais, potencialmente transmitidas pelo cavalo, estão a raiva, a leptospirose, a febre maculosa e a doença de Lyme ou borreliose, estas duas últimas transmitidas pelo carrapato do cavalo.

Existem ainda outras doenças como a rinopneumonite eqüina, o mormo e a brucelose. Como os carroceiros percorrem grandes distâncias pela cidade, podem ainda transmitir doenças inerentes ao cavalo. Nesse aspecto, destaca-se a anemia infecciosa, doença similar a AIDS humana, que causa uma imunodeficiência, cujo tratamento é ineficaz e o sacrifício obrigatório por ser facilmente transmitida a outros animais, seja via vetor (moscas picadoras) ou via instrumentos com sangue.

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Abandonada para morrer – Ilha de Paquetá – Veja os Trollers ao fundo.

Como são negligenciados por seus tutores, e sequer possuem local adequado para se abrigarem com segurança e conforto durante as noites, além de ficarem ao tempo, no frio e chuva, ficam sujeitos a maus tratos, torturas, envenenamentos e assassinatos na rua.

Em algumas cidades é contra a lei ter carroça no perímetro urbano. Mas não há fiscalização. Poucos sabem da lei para denunciar. E os carroceiros a infringem normalmente. São inúmeros (e bárbaros) os casos de violências e assassinato de eqüinos pelos próprios tutores.

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Maus tratos do próprio tutor carroceiro.

Quando sofrem fraturas (pelas condições de trabalho a que são submetidos), pneumonia (por serem amarrados e deixados sob forte sol e chuva), bicheira (pelos ferimentos dos arreios e chicotadas não tratados), etc., não recebem cuidados veterinários. Adquirem horríveis anomalias na coluna vertebral, devido à violência contra seus limites do corpo: peso na carroça, peso no lombo, horas de trabalho, instalações para dormir e descansar, alimentação…

Não recebem alimentação adequada. Costumam ser deixados em lixões para procurarem algo que comer por lá. Correm riscos de ingerir lixo contaminado e plástico, se machucar com vidros e agulhas, etc.

Quando desfalecem de dor e fraqueza do meio da rua, são abandonados por lá. Outros são vendidos para abatedouros clandestinos quando não se mostram mais úteis.

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Vítima de maus tratos.

Casos:

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Outubro de 2008. Égua abandonada pelo carroceiro agonizando numa rua de Queimados.

Ficou nesse estado (doente, semi-morta, exausta…) pela exploração em carroça. Imaginem as dores, desespero e desamparo. O poder público do município de Queimados, ao ser contactado, não fez nada, mesmo que legislativamente todo animal é tutelado do estado! Depois de mais de 10 horas agonizando e sofrendo, a égua faleceu. Mais uma vida que só conseguiu se livrar da escravidão morrendo, não tendo chance de conhecer a paz, felicidade, amparo, respeito e tranquilidade em vida.

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Égua resgatada pelo Ministério Público, no sul, após denuncia de maus tratos.

Ela foi desatrelada da carroça e o carroceiro foi para a delegacia.

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Não raro, animais com feridas no dorso por causa das amarras, e anomalias dos ossos e articulações, devido a fraturas não tratadas e artrites.

Soluções:

– Olhe de frente nos olhos daqueles animais e veja a falta de brilho em cada olhar, o olhar perdido de cada um, oriundo da escravidão e falta de respeito do ser humano para com outras espécies.

– Denuncie carroças, faça contato com controle urbano de sua cidade, chame a Polícia Militar para fazer um boletim de ocorrência de crime ambiental. Lei Ambiental 9605/98 art32;

– Leilão de animais resgatados não é o ideal. Eles são leiloados e voltam a ser vendidos e/ou alugados para trabalharem novamente atrelados em carroças. As ONGS e Santuários deveriam assumir esses cavalos, como medida paliativa, recebendo ajuda do Estado.

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Em Foz do Iguaçu, carrinhos elétricos movidos a bateria feitos por técnicos da Itaipu Binacional foram cedidos para catadores de material reciclado que integram cooperativas.

Essa é uma alternativa para o uso de carroça.

– O que alimenta as carroças: materiais recicláveis, entulhos e material de construção. Acabe com esse meio! Não deixe que carroceiros peguem o seu lixo! Não contrate carroceiros para pegar entulhos! Não compre em lojas de material que usam o trabalho de carroceiros! Proteste! (A COMLURB faz a retirada de entulhos gratuitamente no RJ)

– Mande e-mails para gabinetes de políticos da sua cidade exigindo leis proibitivas, e projetos de alternativas aos carroceiros.

– Reprima, alerte, conscientize. Reproduza e distribua essas informações.

– Transportes substitutivos mais éticos: jardineiras, microônibus, carrinho elétrico, bicicletas, carrinhos a bateria, etc.

– Criação, assim como apoio governamental aos santuários de animais já existentes, como o Santuário das Fadas, em Petrópolis, que mantém com recursos próprios vários cavalos e outros animais resgatados dos maus tratos.

– Não perca a chance de dar água fresca e legumes a um cavalo;

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Leis:

Lei nº 11.478 de 1994 e Lei nº 11.887 de 21/set/1995 – promovida por Celina Valentino -que proíbe o emprego de veículos de tração animal, de carga ou montados no Município de São Paulo. Ambas são baseadas no Decreto Federal nº 24.645.

Sociedade, carroceiros e animais

Não dá mais para fingirmos que as inúmeras carroças existentes na cidade nada significam. Carroceiros excedem-se em abusos e infrações. Muitos são mestres em atrocidades para com os animais, impondo-lhes um calvário de dores e privações de direitos.

Considerando-se as exceções, os bichos trabalham o dia todo sob pressão e chibatadas, sem comer, beber ou descansar, e, não raras vezes, são alugados para trabalharem também no período noturno. Os apetrechos – que os prendem covardemente à carroça – causam-lhes ferimentos e desconforto, além de ficarem expostos às intempéries, como sol forte ou chuva e frio. Alijados de suas condições naturais de vida, à noite, solitários, são presos em cubículos ou amarrados em arbustos, quando não saem a vagar procurando por comida. Cavalos doentes, éguas prenhes e burricos vêm da periferia, de lugares longínquos, e percorrem dezenas de quilômetros todos os dias. São agredidos, tratados com despreparo e negligência. Resultando: animais apáticos, tristes, desnutridos e subjugados. Deles tudo é tirado, desde a cria até a liberdade.

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E os carroceiros? Estão no limite da pobreza, moram em buracos, vivem à margem da sociedade, em condições insalubres e aviltantes, têm um histórico de despreparo educacional, de doenças, de violência. Agredidos por um desumano sistema econômico, esses excluídos brutalizam também a família, além dos animais.
Só demagogos, oportunistas ou omissos podem defender uma profissão que não eleva a pessoa à condição de cidadão. Carroças na rua evidenciam o nosso fracasso social. Conhecemos indivíduos, e seus inúmeros filhos, que são carroceiros há décadas e continuam vivendo na mesma situação de subemprego e miséria. Como podem, então, se mal têm para si, cuidar de um animal de grande porte? Como é que fica a situação desse ser que é tutelado pelo Estado e tem direitos garantidos por lei? Então o bicho, que nenhum mal cometeu, tem que trabalhar para nós como escravo e arcar com o ônus da nossa desequilibrada e injusta organização social. Os animais, ao contrário do que se apregoa, não nasceram para nos servir, cada espécie tem sua própria e inerente razão de ser,e já está mais do que na hora da superação desse cômodo e imoral especismo, termo usado por Peter Singer e outros filósofos e juristas contemporâneos para se referirem ao preconceito contra os seres não-humanos.

Ainda infringem o Estatuto da Criança e do Adolescente e as leis de trânsito ao colocarem menores trabalhando, conduzindo carroças pela cidade. A omissão dos poderes e órgãos responsáveis só serve para dar respaldo a ilegalidade e maus tratos. Ser indiferente e cruel para com os animais acostuma o nosso olhar e resvala na indiferença e crueldade para com os homens. A exploração não atinge apenas o cavalo usado para tração, mas também o carroceiro (cujo papel está sendo assumido, cada vez mais, por mulheres e crianças), pois dele passam longe os mais elementares direitos trabalhistas. Mais lógico seria cadastrar e organizar esses catadores informais em associações ou cooperativas, em usinas de processamento de lixo, com veículos motorizados, remuneração, direitos assegurados e formação educacional profissionalizante. Enfim, eliminar, limitar ou regulamentar atividades que atentem contra a dignidade dos homens e das outras espécies é uma conduta generosa e dever de sociedades ditas civilizadas.

As autoras, Sônia Marques Joaquim e Vânia Rall Daró, são, respectivamente, professora aposentada da Unesp-Bauru e advogada e tradutora pública.

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Cartaz para divulgar!:

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Informações Úteis:

– Conheça o trabalho em prol dos cavalos:

Ons Chicote Nunca Mais

Santuário das Fadas

– Telefones:

DEMA (21)

Ministério Público (21)

Comlurb
(21) 3890-4977 (recolhe entulhos gratuitamente (galhos, tijolos, etc). É só ligar e solicitar o serviço dando o endereço.

Assista:

Vida de Cavalo – Instituto Nina Rosa (documentário)

Corcel, Espírito Indomável (animação infantil)

Notícias Relacionadas:

– Motorista morre ao atropelar cavalo na av. Brasil – 20-08/2008

– Leilão: cavalos podem ser retirados – 28/08/2008

Fontes:
http://www.uniaolibertariaanimal.com/trabalho/carrocas

logspot.com

Grupo Irmão Animal
irmao.jpg

http://irmaoanimal.com/
https://www.facebook.com/irmaoanimal
http://procuramospet.wordpress.com/
http://caespetropolis.wordpress.com/

ღ●๋•°’" RESPEITAR os animais é DEVER de todos … AMÁ-LOS é umPRIVILÉGIO de poucos!!! ღ●๋•°’"
ღ … adote, ajude, divulgue !!!

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