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Diário do cão acorrentado…

29 de julho de 2010
acorrentado

Imagine o que é acordar todos os dias no mesmo quarto, preso a uma cadeira, em frente a uma janela aberta.

Da janela vê o que se passa. Vê uma estrada, uns caixotes do lixo à sua direita, umas casas em frente com outras pessoas presas a cadeiras em frente a outras janelas.

Você fala com elas, grita por entre o barulho dos carros que passam a correr mesmo em frente à janela, pergunta-lhes quem são, o que fazem ali, mas nunca obtém resposta.

Consegue ver que essas pessoas lhe falam também, mas nunca consegue ouvir o que lhe dizem.
De vez em quando veêm trazer comida e água, é a hora em que tudo muda. Alguém olha para ti, reconhece que está ali.

Você tenta falar com essa pessoa, tenta dizer-lhe o quanto gostaria que essa pessoa ficasse ali e conversasse um pouco contigo, mas ela não o entende e vai sempre embora passados uns minutos.

O pôr-do-sol anuncia a chegada da noite e as gotas da chuva começam a cair. O sol fraco que radiava a cadeira esconde-se e você tem frio.

Mas não tem como se refugiar, nem como fugir.

Encolhe-se na cadeira e cochila durante a noite, esperando mais um dia que segue, repleto do mesmo.

Não coloque o seu cão em correntes.
Dê-lhe o direito à liberdade,
dê-lhe o direito à vida.

Fonte: http://caoacorrentado.blogspot.com/

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